Gravame

Intenção de gravame: o que é, quanto dura e como tirar

Publicado em: 22 de setembro de 2026Tempo de leitura: 22 minutos

Texto de: Gabriel Valério — Advogado · OAB/PR 111.516

Linha do tempo da intenção de gravame: o banco lança o apontamento no dia 0; com o contrato registrado, vira gravame; sem registro, é cancelado ou baixado.

Apareceu "intenção de gravame" no meu carro e eu não sei de onde veio. Antes de vender, comprar ou pagar qualquer coisa, confira se já existe gravame efetivo e qual banco é o credor na consulta de gravame pela placa.

Intenção de gravame é o apontamento que um banco lança no cadastro do veículo antes de registrar um contrato de financiamento com o carro em garantia. É uma anotação provisória. Pela Resolução CONTRAN 807/2020, o banco pode cancelá-la em até 30 dias. Depois disso, o cancelamento depende de autorização do Detran, e, sem contrato registrado, a norma prevê a baixa com essa autorização. Não há desaparecimento automático.

Quando fica além dos 30 dias, alguém deixou de fazer a sua parte, e quase nunca foi você. Na prática, quem resolve é o banco que lançou; se ele não resolver, o Detran ou a Justiça. Aqui está o que a resolução diz, artigo por artigo, e o que fazer quando ela não é cumprida.

Linha do tempo da intenção de gravame: o banco lança o apontamento no dia 0; com o contrato registrado, vira gravame; sem registro, é cancelado ou baixado.
Pela Res. CONTRAN 807/2020, a intenção de gravame é provisória: sem registro do contrato em 30 dias, a norma prevê a baixa do apontamento, com autorização do Detran. Quem resolve é o banco que lançou.

Apareceu "intenção de gravame" no meu carro, o que é?

É o apontamento: uma anotação provisória, lançada pela instituição credora, anterior ao registro do contrato. Pode corresponder a uma contratação em preparação ou a um contrato cujo procedimento de registro ainda não foi concluído. A Res. CONTRAN 807/2020, art. 2º, VIII, define o apontamento como a "anotação prévia e provisória de possíveis contratos de financiamento com garantia real de veículo, feita por instituição credora".

A expressão "intenção de gravame" não aparece na resolução nem na página do Sistema Nacional de Gravames da B3. É o nome que o mercado usa. Ler "intenção" como "apontamento" é a minha leitura, e a única que combina com a definição e os prazos da norma.

Serve para "reservar" o carro enquanto a papelada anda. O apontamento vem antes do registro do contrato (art. 5º, § 2º) e impede que o mesmo carro garanta dois financiamentos ao mesmo tempo (art. 7º).

Intenção de gravame (apontamento)Gravame efetivo
O que éAnotação provisória, anterior ao registro do contrato (art. 2º, VIII)Anotação feita pelo Detran depois do registro do contrato (art. 2º, X)
Quem lançaO bancoO Detran, com base no contrato registrado
Vai para o documento?Não: a anotação só vem "após o registro do contrato" (art. 17)Sim, no campo de observações
Quanto dura30 dias para o registro do contrato; depois, cancelamento ou baixa só com autorização do Detran (arts. 5º, §§ 3º e 4º, e 6º)Até a baixa, normalmente depois da quitação
Quem tiraO banco que lançou: cancela em até 30 dias; depois, com autorização do Detran, inclusive a baixa sem contrato registradoO banco: comunica a quitação em até 10 dias (art. 18) e o Detran exclui a anotação

Registrado o contrato, a intenção vira o gravame que o guia explica em quem coloca o gravame e onde ele fica registrado, na linha do Código Civil, art. 1.361, § 1º. Os status seguintes estão em o que significa cada status do gravame.

Mas eu não financiei nada: por que a intenção apareceu?

Porque o apontamento fica no cadastro do carro, e não no nome de quem é dono hoje. Quem tentou financiar esse veículo, ou usá-lo como garantia, pode ter deixado rastro. Os cenários que se repetem:

  • O seu comprador tentou financiar e desistiu. O banco dele lançou o apontamento, o negócio não saiu e ninguém cancelou. Costuma ser o mais simples de resolver, porque você sabe quem foi.
  • O dono anterior tentou um financiamento ou um empréstimo com o carro em garantia. Num relato público, o comprador de um usado só descobriu a intenção ao licenciar, e o banco disse não achar contrato no CPF dele (Reclame Aqui, 2018).
  • Empréstimo com o carro em garantia. Não é só financiamento de compra: foi num empréstimo assim que nasceu o caso que conto abaixo.
  • Leilão. O arrematante descobre a intenção ao transferir. Antes do lance, leia gravame em carro de leilão e faça a consulta de leilão pela placa.
  • Fraude, tratada no fim.

Se a tela fala em intenção "para outro CPF", ela diz, pela própria redação, que o apontamento está em nome de quem não é o dono atual.

A financiadora desistiu e a intenção ficou: e agora?

A norma está do seu lado. Três regras da Res. 807 fecham o prazo:

  1. Cancelamento: "O apontamento poderá ser cancelado pela instituição credora em até 30 (trinta) dias após o envio das informações" (art. 5º, § 3º). Depois desse prazo, "só poderá ser cancelado com autorização" do Detran (art. 5º, § 4º).
  2. Contrato: deve chegar em até 30 dias do apontamento, "sob pena de baixa da operação" (art. 10, na redação da Res. CONTRAN 1.016/2024).
  3. Baixa: sem registro em 30 dias, o apontamento "será baixado, com autorização do órgão ou entidade executivo de trânsito" (art. 6º).

A B3 descreve o cancelamento como "operação de inativação do apontamento realizada pela instituição credora". É o banco que aperta o botão.

A baixa do art. 6º depende da autorização do Detran e não acontece sozinha: alguém precisa provocar o procedimento. É por isso que a intenção esquecida existe. Na prática, quem resolve é o banco que lançou; se ele não resolve, o caminho é o Detran e, depois, a Justiça. A responsabilidade pelas informações é "exclusiva da instituição credora" (art. 20, § 1º); se houve erro, o credor refaz e arca com os custos (art. 20, § 2º).

E um detalhe que pega o próximo comprador: enquanto o apontamento antigo não sai, o banco dele não consegue lançar o novo (art. 7º). A venda para por causa de um financiamento que nunca existiu.

Quanto tempo dura a intenção de gravame?

No papel, 30 dias: é o prazo para registrar o contrato e para o banco cancelar o apontamento por conta própria. Depois disso, o cancelamento ou a baixa dependem de autorização do Detran (arts. 5º, § 4º, e 6º), e a baixa não é automática. O Detran de Goiás repete: há "prazo de 30 dias após a data de inclusão do gravame para efetuar o cancelamento". Na vida real, pode durar meses.

A armadilha: quitei, e a intenção não sai

Um caso do escritório, de 2026, mostra a intenção sobrevivendo ao próprio contrato. O cliente, em São Paulo, quitou em julho um empréstimo com garantia do carro no C6 Bank. O carro tinha sido furtado. No Detran-SP, continuava: "Consta Intenção de Gravame".

Foram duas reclamações no Procon-SP e uma no Banco Central, e o banco respondeu a todas por escrito:

  • primeiro, invocou uma cláusula que exigia do cliente um novo documento do carro, com a alienação, em até 30 dias;
  • depois, reconheceu a quitação e admitiu que o sistema bloqueia o cancelamento quando esse documento não é emitido, falando em "procedimento excepcional";
  • por fim, escreveu que o contrato estava "integralmente liquidado".

Sete semanas depois do pagamento, a intenção seguia lá. O escritório notificou a diretoria jurídica do banco e deixou a ação pronta, com pedido de baixa sob multa diária. O caso está em andamento: ainda não há resultado para contar.

Comparação entre o caminho normal da intenção de gravame até a baixa e a armadilha em que o documento não é emitido e a intenção fica após a quitação.
O mesmo começo, dois finais: quando o documento com a alienação não é emitido, a intenção pode sobreviver à própria quitação.

O que esse caso ensina:

  • A intenção pode ficar mesmo com contrato de verdade. Naquele caso, segundo as respostas do próprio banco, o que empacou foi a emissão do documento com a alienação.
  • Quitar não encerra o assunto sozinho. O credor tem 10 dias para informar o Detran (art. 18); veja quitei o financiamento: quando o gravame sai.
  • A resposta escrita do banco vale ouro. Ela fixou a data da quitação e reconheceu que não havia pendência. Na reclamação ao Banco Central, o banco responde ao e-mail do cadastro do cliente: confira antes.

Como descobrir quem lançou e se já virou gravame efetivo?

Guarde um print datado da tela onde a intenção apareceu. Depois, responda a duas perguntas: quem lançou e se já existe gravame registrado.

  1. No Detran. O atendimento pode informar qual instituição fez o apontamento. No Paraná, veja o que o Detran-PR mostra sobre gravame.
  2. Nos serviços gratuitos. O serviço federal da SENATRAN mostra as "restrições administrativas, judiciais e financeiras": você entra com a sua conta gov.br e informa placa, Renavam e o CPF ou CNPJ do proprietário. O serviço não garante mostrar a intenção nem o nome do banco; o mesmo vale para as telas dos Detrans. Mais em consulta de gravame grátis.
  3. Com quem tentou financiar. O vendedor anterior, a loja ou o comprador que desistiu costumam saber o banco.

A consulta de gravame pela placa responde à pergunta que pesa no bolso: existe gravame efetivo, ativo, e de qual banco? O relatório traz a situação registrada, a instituição credora e o CNPJ, o número do contrato, a data de inclusão, a UF do gravame e o financiado, com nome e CPF ou CNPJ. Na versão Completa, também o nome e o CPF ou CNPJ do proprietário registrado do veículo. Veja o que aparece numa consulta de gravame.

Serei direto: o relatório não promete mostrar a intenção de gravame. Não confirmamos que a base oficial do Sistema Nacional de Gravames devolve o apontamento. Para ver a intenção, use a tela do Detran; para saber se ela já virou dívida registrada, a consulta.

O Detran mostraA consulta pela placa mostraO que significaPróximo passo
Intenção de gravameGravame ativo, banco e data de inclusãoO contrato foi registrado: é garantia de dívidaTratar com o banco indicado; comprador não paga antes da quitação
Intenção de gravame"Nenhum gravame ativo localizado para esta placa na data e hora da consulta"A trava é o apontamentoPedir o cancelamento a quem lançou, com o PDF datado; passados 30 dias, pedir também a baixa no Detran

Exemplo de resultado · placa ABC1D23

Amostra · dados fictícios

Situação
GRAVAME ATIVO · com alienação fiduciária
Instituição credora
BANCO EXEMPLO S.A.
CNPJ do credor
00.000.000/0001-00
Contrato
0012345678
Data de inclusão
14/03/2023
Vigência registrada
14/03/2027
UF do gravame
PR
Financiado
MARIA DA SILVA EXEMPLO · CPF 123.456.789-00
Proprietário registradoCompleta
JOÃO PEREIRA EXEMPLO · CPF 111.444.777-00

Financiado e proprietário registrado são pessoas diferentes.

Consulta em 21/09/2026 às 10:42 · SHA-256 9f2c…e41a · os campos marcados “Completa” não saem na Básica.

O que isso significa para quem vai comprar

Se o Detran fala em intenção, mas a consulta mostra gravame ativo, com banco e data de inclusão, o contrato já foi registrado: não é mais reserva, é garantia de dívida. Quem resolve é o banco indicado, com a quitação. Se você vai comprar, não pague ao vendedor antes disso; e aqui o carro está financiado em nome de uma pessoa e registrado em nome de outra, o que o vendedor precisa explicar antes de qualquer pagamento.

Já virou gravame? De qual banco?

Situação do gravame, instituição credora, número do contrato e data de inclusão, em PDF com hash, na hora.

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Como tirar a intenção de gravame?

Comece pelo banco que lançou: na prática, é ele quem resolve, e a responsabilidade pelas informações enviadas é dele (art. 20, § 1º). Passados 30 dias, o Detran entra também, porque o cancelamento e a baixa passam a depender da autorização dele (arts. 5º, § 4º, e 6º). Se nenhum dos dois resolve, a saída é a Justiça.

  1. Reúna as provas: print da tela, CRLV-e, placa, chassi, Renavam e uma consulta datada. Se houve venda, o recibo; se houve quitação, o termo e toda resposta escrita do banco.

  2. Peça por escrito, com protocolo. Um modelo:

    "Solicito a identificação do contrato relacionado ao apontamento (intenção de gravame) lançado por esta instituição no veículo placa [placa], chassi [número], e a informação sobre seu registro. Caso não tenha ocorrido registro no prazo regulamentar, peço a adoção do procedimento de cancelamento ou de baixa do apontamento, com a autorização do Detran quando exigida (Res. CONTRAN 807/2020, arts. 5º, §§ 3º e 4º, e 6º). Lembro que a responsabilidade pelas informações enviadas é da credora (art. 20, § 1º). Peço confirmação por escrito."

    Ajuste ao seu caso. Se o financiamento era do comprador que desistiu, diga que a contratação não se concretizou. Se você suspeita de fraude, diga que não reconhece a operação, peça a apuração e anexe o boletim de ocorrência. Se o contrato foi quitado, junte o termo de quitação e peça também a comunicação da quitação ao Detran (art. 18).

  3. Não havendo solução, acompanhe o protocolo. Se já decorreram 30 dias do apontamento sem registro do contrato, solicite ao Detran o procedimento previsto no art. 6º, que depende da autorização dele. Em contrato quitado, confira também o prazo de comunicação do art. 18. Há relatos de Detran que resolve no balcão e de Detran que devolve ao banco.

  4. Ouvidoria, Procon e Banco Central não cancelam o apontamento, mas podem provocar uma solução e produzem documentos úteis, como protocolos e respostas por escrito.

  5. Jurídico do banco, não o SAC. Num caso de 2026, depois de sete meses de inércia do banco com uma restrição que só ele podia retirar, uma notificação à vice-presidência jurídica resolveu no mesmo dia. Não é regra, mas é o canal com alçada.

  6. Justiça, com liminar e multa diária. Na baixa de gravame, a 6ª Câmara Cível do TJPR manteve ordem contra o Itaú, vinda da 18ª Vara Cível de Curitiba: "a obrigação de baixa do gravame é um mero requerimento administrativo, não se configurando como ato complexo" (Agravo de Instrumento 0079229-17.2025.8.16.0000, rel. Des. Cláudio Smirne Diniz, fevereiro de 2026, consulta no TJPR). Na minha leitura, vale com mais razão para um apontamento, que nem contrato registrado tem.

O banco não tira a restrição que ele mesmo lançou?

Prazo, prova, notificação ao jurídico e liminar com multa diária: o caminho para obrigar o credor está no guia de baixa de gravame do escritório.

Ver o passo a passo da baixa →

E a indenização? Não é automática. A jurisprudência exige prova específica de dano concreto (STJ, Tema Repetitivo 1.078: o atraso na baixa, sozinho, não gera dano moral presumido; aplico o mesmo raciocínio à intenção de gravame, por analogia). A prova de venda frustrada e de constrangimento perante terceiros é uma forma comum de suprir essa exigência e ajudar no convencimento do juízo. Na 5ª Turma Recursal do TJPR, vindo do 6º Juizado de Londrina, o pedido contra o Banco PAN perdeu: o autor disse que perdeu a venda do carro, mas não provou. Já a 7ª Câmara Cível manteve R$ 10 mil contra o Bradesco Financiamentos, em Curitiba, porque o autor demonstrou os transtornos. A diferença foi a prova: conversas com o comprador que desistiu, sinal devolvido e protocolos.

Posso vender o carro com intenção de gravame?

Depende de quem é a intenção.

  • É o financiamento do seu comprador, em andamento. É o fluxo normal da venda financiada. Não entregue o carro nem assine a transferência antes de o dinheiro cair.
  • É uma intenção antiga ou desconhecida. Resolva antes de anunciar. Nos relatos públicos, ela trava a transferência e, em alguns estados, o licenciamento. E impede o banco do comprador de lançar o próprio apontamento (art. 7º).

A comunicação de venda não resolve: pela Res. CONTRAN 1.027/2026, art. 30, parágrafo único, ela "não altera, por si só, a responsabilidade por tributos, encargos, gravames, multas". E quem compra não deve confiar no CRLV limpo: só o gravame registrado vai para o documento (art. 17).

Os caminhos seguros estão em carro com gravame pode ser vendido. Se você já comprou, veja comprei carro com gravame.

Quando a intenção de gravame é golpe?

Quando o apontamento não tem explicação, ou quando alguém quer que você ignore a tela. Três padrões:

  • Crédito tomado "com o seu carro". Intenção em nome de desconhecido, em carro que você nunca ofereceu, pode indicar que alguém usou os dados do veículo para financiar. Registre boletim de ocorrência e peça ao banco, por escrito, o cancelamento e a apuração.
  • Vendedor que já deu o carro em garantia. Vender carro alienado sem o banco participar pode, em tese, ser enquadrado como estelionato: a Lei 4.728/1965, art. 66-B, § 2º, manda aplicar a pena do art. 171, § 2º, I, do Código Penal a quem aliena coisa que já alienou fiduciariamente. Na prática, isso basta para gerar boletim de ocorrência e investigação criminal — e ser investigado já é um problema, independentemente da defesa. Outra coisa é a venda estruturada, com a quitação paga ao banco e a garantia liberada. O sinal do golpe é a pressa e a recusa em deixar você consultar a placa.
  • Quem cobra para "tirar do sistema". Quem cancela o apontamento é o banco que lançou; depois de 30 dias, com autorização do Detran. Ninguém de fora "tira do sistema".

O que não funciona

  • "Em 30 dias some sozinho." A norma prevê a baixa depois de 30 dias sem registro, mas com autorização do Detran: não é automática. O caso de São Paulo mostra que a intenção pode ficar. Cobre por escrito.
  • "O documento está limpo." A intenção não vai para o documento (art. 17). Consulte no dia.
  • "O Detran é que tem de tirar" (ou "só o banco tira"). Na prática, quem resolve é o banco que lançou; depois de 30 dias, o cancelamento depende também de autorização do Detran. Cobre o banco e, passado o prazo, protocole também no Detran.
  • "Reclamar no Procon resolve." Pode provocar uma solução e gerar documentos úteis, mas quem cancela é o banco.
  • "Vou ganhar indenização." Não há dano presumido (Tema 1.078, aplicado aqui por analogia): é preciso prova de dano concreto, como mostrou Londrina.
  • "A consulta pela placa mostra a intenção." Não prometemos isso: ela mostra o gravame registrado e o banco.

Como verificamos

Normas conferidas no texto oficial (gov.br e Planalto); cancelamento do apontamento na página do SNG da B3; prazo de 30 dias também no Detran-GO. Julgados do TJPR a partir dos acórdãos públicos. O caso de São Paulo vem dos autos do escritório, anonimizado. "Intenção = apontamento" é interpretação nossa, declarada. O que depende da tela de cada Detran está marcado para conferência. Fontes abertas e conferidas em setembro de 2026. O guia serve o Brasil inteiro: a Res. 807 é nacional e o STJ é o norte; os exemplos de tribunal são do Paraná.

Perguntas frequentes

O que é intenção de gravame?
Intenção de gravame é o nome de mercado do apontamento: a anotação prévia e provisória que o banco faz no cadastro do veículo antes de registrar um contrato de financiamento com o carro em garantia (Res. CONTRAN 807/2020, art. 2º, VIII). Ainda não é o gravame: vira gravame só se o contrato for registrado.
Intenção de gravame o que significa no Detran?
Significa que uma instituição credora fez uma anotação provisória sobre aquele carro, anterior ao registro do contrato. Pode corresponder a uma contratação em preparação ou a um contrato cujo registro ainda não foi concluído. Sem registro em 30 dias, a Res. CONTRAN 807/2020 prevê a baixa do apontamento, com autorização do Detran (art. 6º).
Quanto tempo dura a intenção de gravame?
A norma trabalha com 30 dias: nesse prazo, o banco pode cancelar o apontamento; depois, o cancelamento e a baixa dependem de autorização do Detran (Res. CONTRAN 807/2020, arts. 5º, §§ 3º e 4º, e 6º). Não some sozinha: há intenções que ficam meses. Na prática, quem resolve é o banco que lançou; cobre dele por escrito. Se ele não resolver, o caminho é o Detran e, depois, a Justiça.
Apareceu intenção de gravame e o carro não foi financiado. O que fazer?
Descubra qual banco lançou o apontamento e peça a ele o cancelamento por escrito, com protocolo: na prática, é ele quem resolve, e a responsabilidade pelas informações é dele (Res. CONTRAN 807/2020, art. 20, § 1º). Causas possíveis: um comprador que tentou financiar e desistiu, um financiamento tentado pelo dono anterior ou fraude. Se o banco não resolver, leve o protocolo ao Detran e, se preciso, à Justiça.
A financiadora desistiu e a intenção de gravame ficou. Quem tira?
O banco que lançou. Ele pode cancelar o apontamento em até 30 dias; depois disso, precisa da autorização do Detran para cancelar ou baixar (Res. CONTRAN 807/2020, arts. 5º, §§ 3º e 4º, e 6º). Peça ao banco por escrito. Se ele não resolver, leve o protocolo ao Detran; persistindo, o caminho é a Justiça.
Como tirar a intenção de gravame?
Peça por escrito ao banco que lançou, com protocolo, a identificação do contrato e a informação sobre o registro e, se não houve registro no prazo, o cancelamento ou a baixa do apontamento (Res. CONTRAN 807/2020, arts. 5º, §§ 3º e 4º, e 6º). Na prática, é o banco quem resolve. Passados 30 dias sem registro, leve o protocolo também ao Detran, porque a baixa depende da autorização dele. Se nada resolver, o caminho é a Justiça, com pedido de liminar.
Posso vender o carro com intenção de gravame?
Depende de quem é a intenção. Se é o financiamento do seu próprio comprador em andamento, é o fluxo normal da venda financiada. Se é uma intenção antiga ou desconhecida, resolva antes: ela pode travar a transferência e impede que o banco do comprador lance um novo apontamento (Res. CONTRAN 807/2020, art. 7º).
Intenção de gravame aparece no CRLV?
Não deveria. A Res. CONTRAN 807/2020 manda anotar o gravame no documento só depois do registro do contrato (art. 17). Por isso o CRLV do vendedor pode estar limpo e existir uma intenção no sistema.
A consulta de gravame pela placa mostra a intenção de gravame?
Não é garantido. A consulta mostra se há gravame ativo, a instituição credora, o número do contrato e a data de inclusão; não confirmamos que as bases devolvem o apontamento. Para ver a intenção, use a tela do Detran.
Intenção de gravame pode ser golpe?
Pode. Uma intenção em nome de pessoa desconhecida, em carro que você nunca ofereceu, pode indicar financiamento fraudulento sobre o seu veículo. E vender carro alienado sem o banco participar pode, em tese, ser enquadrado como estelionato: a Lei 4.728/1965, art. 66-B, § 2º, manda aplicar a pena do art. 171, § 2º, I, do Código Penal a quem aliena coisa que já alienou fiduciariamente. Registre boletim de ocorrência e cobre o banco por escrito.
Intenção de gravame esquecida dá direito a indenização?
Não automaticamente. A jurisprudência exige prova específica de dano concreto (STJ, Tema 1.078: o atraso na baixa do gravame, sozinho, não gera dano moral presumido; aplico o mesmo raciocínio à intenção, por analogia). A prova de venda frustrada e de constrangimento perante terceiros é uma forma comum de suprir essa exigência e ajudar no convencimento do juízo.

Sobre o autor

Gabriel Valério

Advogado inscrito na OAB/PR sob o nº 111.516, em Curitiba/PR. Atua com baixa de gravame, busca e apreensão e restrições judiciais sobre veículos.